quinta-feira, 4 de março de 2010

COISAS INTERESSANTES

O ensino da comunicação
O psicólogo suíço Bernard Schneuwly diz que os professores precisam de material didático para trabalhar com leitura e escrita


Produção de texto
Concepções de linguagem alteram o que e como ensinar


Crônica: a arte da vida na sala de aula - Plano de Aula/Ensino Médio

POESIA - Neste vídeo, roteirizado pela escritora Heloisa Prieto, a atriz Vera Barbosa traz sugestões de como fazer uma boa leitura de poesia para seus alunos.

TUDO sobre produção de texto

0 ENSINO DE lÍNGUA PORTUGUESA NO BRASIL

1759 A Reforma Pombalina torna obrigatório no Brasil o ensino de Língua Portuguesa nas escolas. A intenção é transmitir o conhecimento da norma culta da língua materna aos filhos das classes mais abastadas.

1800 A linguagem é vista como uma expressão do pensamento e a capacidade de escrever é consequência do pensar. Na escola, os textos literários são valorizados, e os regionalismos, ignorados.

1850 A maneira unânime de ensinar a ler é o método sintético. As letras, as sílabas e o valor sonoro das letras servem de ponto de partida para o entendimento das palavras.

1860 Desde os primeiros registros sobre o ensino da língua, a escrita é vista independentemente da leitura e como uma habilidade motora, que demanda treino e cópia do formato da letra por parte do aprendiz.

1876 O poeta João de Deus (1830-1896) lança a Cartilha Maternal. Defende a palavração, modelo que mostra que o aprendizado deve se basear na análise de palavras inteiras. É um dos marcos de criação do método analítico.

1911 O método analítico se torna obrigatório no ensino da alfabetização no estado de São Paulo. A regra é válida até 1920, quando a Reforma Sampaio Dória passa a garantir autonomia didática aos professores.

1920 Inicia-se uma disputa acirrada entre os defensores dos métodos analíticos e sintéticos. Alguns professores passam a mesclar as ideias básicas defendidas até então, dando origem aos métodos mistos.

1930 O termo alfabetização é usado para determinar o processo inicial de aprendizagem de leitura e escrita. Esta passa a ser considerada um instrumento de linguagem e é ensinada junto com a leitura.

1940 As primeiras edições das cartilhas Caminho Suave e Sodré são lançadas nessa década, respeitando a técnica dos métodos mistos, e marcam a aprendizagem de gerações.

1970 A linguagem passa a ser vista como um instrumento de comunicação. O aluno deve respeitar modelos para construir textos e transmitir mensagens. Os gêneros não literários são incorporados às aulas.

1984 Lançamento do livro Psicogênese da Língua Escrita, de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. A concepção de linguagem é modificada nessa década e influencia o ensino até hoje: o foco deveria estar na interação entre as pessoas.

1997 São publicados os PCNs pelo governo federal para todo o Ensino Fundamental, defendendo as práticas sociais (interação) de linguagem no ensino da Língua Portuguesa.

Fontes: Os sentidos da alfabetização, Maria do Rosário Longo Mortatti e PCNS

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

“Falamos uma língua e temos de aprender a ler e escrever em outra língua.”P.Coimbra e J.Mari, 1998.



“Quando o professor estabelece (e faz com que o aluno perceba) os objetivos e finalidades para o trabalho com leitura e escrita, com certeza, essas atividades assumem sua função social. Deixam de ser meros exercícios de sala aula, assumem seu real papel ao cumprir a função de atingir o interlocutor a partir de determinadas intenções.”
“Quando queremos instruções sobre como fazer um bolo, não vamos buscá-las num dicionário, e é esse conhecimento que nos permite ganhar tempo e autonomia. Essa experiência todos os alunos precisam adquirir e, para muitos, começa antes de entrar para a escola, quando presenciam atos de leitura e escrita praticados pelas pessoas que os rodeiam.”


O que é ESTRATÉGIAS DE LEITURA?
OBJETIVOS DA LEITURA       
Aluno tem que saber o OBJETIVO

• PRAZER
• OBTER INFORMAÇÕES (PRECISAS/GERAIS)
• SEGUIR INSTRUÇÕES
• APRENDER
• REVISAR TEXTO PRÓRPIO
• COMUNICAR TEXTO PARA AUDITÓRIO
• PRATICAR LEITURA EM VOZ ALTA
• VERIFICAR O QUE SE APRENDE




CAPACIDADES DE LEITURA
ANTES
Ao ler literatura, mobilizamos nossas experiências para desfrutarmos o texto e apreciarmos os recursos estilísticos selecionados pelo autor.
Observando um livro, numa rápida leitura “inspecional”, podemos antecipar algumas das informações que iremos encontrar no texto.

-Título
-Capa
-Ilustrações
-Sumário
-Autor
-Gênero
-Conhecimento prévio – fazer a socialização
-Antecipação ou predição

Apresentar informações que o autor do texto pressupõe que os leitores virtuais tenham, mas que supomos que nossos alunos ignorem.
Estimular os alunos a explicitar os conteúdos que esperam encontrar no texto a partir dos índices levantados.


DURANTE
Estimular a compreensão global do texto em contextos de leitura autônoma ou compartilhada, a partir da observação de indicadores como o léxico, a situação enunciativa, as conexões entre os enunciados, as relações intertextuais etc.
Identificar a organização composicional do gênero a que pertence o texto.

Conteúdo
Propriedade do texto
Checagem de hipóteses
Retomar as hipóteses
Localização de Informação
Sublinhar, copiar, iluminar 
SÍNTESES (palavras chaves)
Comparação de informação
Identificar (tese, argumentação (pró/contra), vozes, conflito central) RESUMO
Generalização
Sínteses
Extrair regra
O que o autor pretende com o texto

Produção de inferências
LOCAIS
- Referente de pronomes
- Relacionar expressões sinônimas
..........
GLOBAIS
- Explicito
- Pressuposto pistas
- Escolhas lexicais (palavras)
- Construções enfáticas
- Operadores argumentativos
(mas, porém, todavia, contudo, entretanto ......)
- Linguagem figurada
- Ironia
          
           INFERÊNCIAS  -Autorizadas (pistas)
                        -Não autorizadas (interpretação livre)

CAPACIDADES DISCURSIVAS
Capacidades de apreciação e réplica do leitor em relação ao texto (interpretação, interação)
-Recuperação do contexto de produção do texto
-Definição de finalidades e metas da atividade de leitura
-Percepção de relações de intertextualidade
-Percepção de relações de interdiscursividade
-Percepção de outras linguagens
-Elaboração de apreciações estéticas e/ou afetivas
-Elaboração de apreciações relativas a valores éticos e/ou políticos




Pode-se ou não se emocionar com um texto; pode-se ou não gostar de um texto; pode-se ou não concordar com o quadro de valores sustentados ou sugeridos pelo texto ou por suas leituras.
Para uma melhor compreensão da obra, assim como para a problematização dos temas sugeridos pelo texto, nada melhor do que trocar impressões com outros leitores.

DEPOIS
Estimular paráfrases do texto lido.
Apreciar os recursos expressivos selecionados pelo autor.
Identificar os valores e as crenças veiculados no texto e refletir a respeito deles.
Identificar a posição do autor e refletir a respeito dela.
Promover o debate democrático em torno de questões polêmicas.
Estabelecer relações com outros textos, filmes etc.

CAPACIDADE DE APRECIAÇÃO E RÉPLICA
Recuperação do contexto de produção
Focalizar /PESQUISAR
- Autor
- Lugar social em que o texto circula
- Veículos de divulgação
- Momento histórico
- Intenções comunicativas
- Leitores presumidos
- Interlocutores contemporâneos

Referência
PCN, PCNEM
SOLÉ, Isabel. Estratégias de Leitura. Porto Alegre: Artmed, 1998.
Programa Tecendo Leitura (SEE)
Geraldi, João Wanderley . A leitura na sala de aula: as muitas faces de um leitor”, de Série Idéias, n. 5. São Paulo: FDE, 1988. p. 79-84.
Rojo ,Roxane. 2004. Projeto EMR (SEE)

Magda SOARES (1988) também focaliza a leitura a partir do que ironicamente chama de "olhar de fora" para a leitura, considerando a questão das condições sociais de acesso à leitura e a questão das condições sociais de produção da leitura (1988:19).

Leitura passa a ser um ato de produção, que leva em conta "todos os nossos conhecimentos anteriores da língua e nossa experiência de vida". Onde "cada leitura é nova escrita de um texto. O ato da criação não estaria, assim, na escrita mas na leitura, o verdadeiro produtor não seria o autor mas o leitor' (Bella JOSEF, citada por SOARES, 1988:26).

"a cultura e a língua mudam porque elas sobrevivem num mundo que muda: o sentido de um verso, de uma máxima, ou de uma obra muda pelo simples fato de que mudou o universo das máximas, dos versos ou das obras simultaneamente propostos àqueles que o aprendem, o que se pode chamar de copossíveis" (BOURDIEU, 1987:143).

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Vocês já repararam?

"Vocês já repararam no olhar de uma criança quando interrroga? A vida, a irrequieta inteligência que ela tem? Pois bem, você lhe dá uma resposta instantânea, definitiva, única - e verá pelos olhos dela que baixou vários risquinhos na sua consideração."
Mario Quintana

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Vídeoclip - A CARTOMANTE


DESLIGUE A MÚSICA NO ALTO DA PÁGINA A DIREITA PARA ASSISTIR AO VÍDEO.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Melhorar as aulas de produção de textos


Beatriz Gouveia,formadora do Instituo Avisa Lá.

DESLIGUE A MÚSICA NO ALTO DA PÁGINA A DIREITA PARA ASSISTIR AO VÍDEO.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

PLEONASMO

Abaixo ao Pleonasmo!… mas, com muito humor



DESLIGUE A MÚSICA NO ALTO DA PÁGINA A DIREITA PARA ASSISTIR AO VÍDEO.

Subir pra cima? Elo de ligação? Acabamento final? Certeza absoluta? Comparecer pessoalmente? Encarar de frente? Fato real? Multidão de pessoas?

Se você está acostumado a repetir algumas das expressões acima é melhor dar uma olhadinha no vídeo. O humorista Marcius Melhem dá uma aula de como identificar e eliminar os pleonasmos da sua vida.

Melhor que classe intensiva de português!
by Kelly de Souza

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

REGISTRANDO

Portfólios
O QUE É: Pasta com amostras do trabalho das crianças, como atividades, relatórios, desenhos, fotos, vídeos e registros sonoros.
PARA QUE SERVE: Avaliar continuamente a trajetória de cada aluno e de uma turma, dentro de um projeto específico ou ao longo do ano.
COMO USAR: Analisar os problemas de ensino que aparecem nas produções da turma e procurar maneiras de resolvê-los.

Registro de classe
O QUE É: Notas,pautas de observação e diários de classe.
PARA QUE SERVE: Registrar e acompanhar diariamente as atividades de ensino e a evolução dos alunos.
COMO USAR: Refletir sobre a prática pedagógica com base nas dúvidas dos professores para ajustar práticas e encaminhamentos.

Planejamento
O QUE É: Sequências didáticas, planos de aula, projetos didáticos e atividades permanentes.
PARA QUE SERVE: Organizar o planejamento anual e de aulas para formar a memória do trabalho realizado no ano.
COMO USAR: Antecipar os conteúdos que serão ensinados e a interação dos alunos com eles durante o planejamento. Serve também como banco de ideias de modalidades.
REFERÊNCIA: Revista Nova Escola - Edição 001 | Abril 2009

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Coerência e coesão textual: questões de gênero

Autora: Roselene dos Anjos

O que queremos mesmo dizer quando afirmamos que um texto ou um trecho dele está incoerente? E quando constatamos que a coesão está prejudicada em determinado trecho? No trabalho com os alunos em sala de aula, é preciso mostrar onde estão os problemas e, sobretudo, indicar possibilidades e pistas de como eles podem ser resolvidos. Esta é a questão que pretendemos começar a discutir aqui, buscando apontar como a coerência e a coesão devem ser avaliadas e estudadas com base na perspectiva dos gêneros textuais.

Dizemos que um texto é coerente quando percebemos a existência de uma amarração planejada entre as partes que o compõem, amarração esta que estabelece uma interdependência semântica: relação entre o sentido de cada uma das partes e o sentido geral do texto. Em outras palavras, a coerência está diretamente ligada à compreensão do sentido geral de um texto, isto é, à possibilidade de interpretação daquilo que se diz, escreve, ouve etc., sendo o que nos possibilita identificar se há uma unidade de sentido no texto.

Um dos mecanismos responsáveis pela interdependência entre as partes de um texto, isto é, por sua unidade de sentido, é a coesão: a ligação que se estabelece entre suas partes. Contribuem para estabelecer estas relações e ligações os elementos de natureza gramatical (como os pronomes, conjunções, preposições, categorias verbais), de natureza lexical (sinônimos, antônimos, repetições) e mecanismos sintáticos (subordinação, coordenação, ordem dos vocábulos e orações).

A coerência e os mecanismos de coesão não funcionam sempre da mesma forma em todos os textos, pelo contrário, se manifestam distintamente nos diferentes gêneros textuais, condicionados pela situação de produção. Vejamos rapidamente alguns exemplos.

Nos gêneros que se agrupam na ordem do narrar, a coerência existe, sobretudo, em função da organização temporal, isto é, do modo como se marca o tempo dos acontecimentos narrados. Mas esta organização está sujeita às especificidades do gênero. Por exemplo, em um conto de assombração, os elementos coesivos acionados para garantir a unidade de sentido são distintos daqueles mobilizados para a construção de um conto de fada: a introdução da narrativa, a seleção dos fatos a serem narrados, o foco nos elementos de cenários e na caracterização de personagens (seus gestos, suas feições, seu modo de ser e agir) são elementos que precisam estar adequados à finalidade do texto, ao efeito de sentido que se quer promover.

No caso do conto de assombração, estes aspectos devem estar voltados para o clima de assombro e tensão que caracteriza este gênero. As construções “era uma vez” e “em um reino encantado”, características de um conto de fadas, tornam-se inconsistentes para o conto de assombração, que tem como um dos fatores essenciais de sua organização a necessidade de construir a credulidade do leitor, definindo tempos e lugares com uma certa precisão.

Em muitos casos, a incoerência ou inconsistência de um texto decorre da inabilidade de selecionar o que é relevante para a situação de produção: um conto de assombração que se demora na descrição de alguns detalhes que não contribuem para a criação do clima de medo, por exemplo, pode perder o foco e tornar-se, se não incoerente, improdutivo para o gênero pretendido. Muitas vezes é este o problema que detectamos nos textos dos nossos alunos, sendo preciso mostrar a eles que a unidade de sentido a ser trabalhada no texto está diretamente relacionada com as características e as condições de produção exigidas pelo gênero.

Nos textos que se agrupam na ordem do argumentar, a coerência se constrói fundamentalmente pela ordenação lógica das idéias. Sabemos que há conectores específicos para expressar as diferentes articulações sintáticas - causa, finalidade, conclusão, condição etc – e que tais elementos devem ser usados adequadamente, de acordo com a relação que se quer exprimir ao desenvolver uma argumentação. Sabemos também que estes articuladores exigem a adequação dos tempos e modos verbais para funcionarem de maneira eficiente e possibilitar a coerência. Todos estes conhecimentos são fundamentais para o trabalho com a argumentação. Entretanto, saber isto não é suficiente para construir uma boa argumentação nos diferentes gêneros circunscritos neste grupo.

Convencer um conjunto de leitores de um artigo de opinião, por exemplo, é muito diferente do que convencer um interlocutor específico em uma carta reivindicatória. As estratégias argumentativas a serem mobilizadas para um e para outro caso se distinguem e precisam levar em conta elementos da situação de comunicação específica. Numa carta dirigida a um prefeito, por exemplo, argumentos que apelem para a sua condição de representante do povo e responsável pelo bem público podem e devem ser utilizados, mas é incoerente mobilizar este tipo de argumento quando o que se pretende é dialogar com um interlocutor que precisa ser convencido e chamado para o seu lugar de cidadão. Neste último caso, pode ser uma boa estratégia, trazer para o texto a voz de um cidadão que fala de igual para igual. Isto significa dizer que a coerência de um e de outro texto precisa ser definida não pelos argumentos em si, mas pelo seu funcionamento em cada situação comunicativa.

É por este motivo que vale a pena mostrar aos alunos a maneira como estes mecanismos funcionam no interior dos textos. Mas como é mesmo que isto pode ser feito?

Certamente esta pergunta não encontrará resposta desejável e produtiva se a opção for fazer os alunos decorarem uma interminável lista de conjunções coordenativas e subordinativas . A compreensão do funcionamento das conjunções, de seu sentido, de sua função argumentativa, das relações que estabelecem entre as idéias em um editorial ou em uma carta aberta é que pode evitar os períodos incoerentes do ponto de vista sintático, semântico e principalmente, do ponto de vista da situação comunicativa que se pretende.

Se o professor quer que seus alunos produzam textos coerentes e coesos, é preciso mostrar o funcionamento destes mecanismos na situação de produção específica em que o texto está inserido. Somente desta maneira o aluno vai se familiarizar com novas aquisições lingüísticas e perceber que solucionar um problema de coerência ou coesão em um texto não significa simplesmente trocar uma palavra, substituir ou modificar um conectivo, nem adequar os tempos verbais, trata-se, antes de mais nada, de perguntar sobre os elementos que envolvem sua produção.

Antes do ponto final

São muito comuns reclamações como não sei pontuar, não sei usar vírgulas... Estas dificuldades decorrem quase sempre da idéia de que as regras são rígidas e funcionam em quaisquer situações de produção. Muito mais produtivo do que insistir em regras é aliar o ensino da pontuação ao ensino dos mecanismos de coerência e coesão, mostrando a importância dela para o estabelecimento do sentido do texto em determinadas situações comunicativas. Assim como podemos usar conectores e outros elementos de coesão para articular vocábulos ou orações e indicar as relações existentes entre eles, os sinais de pontuação também contribuem para a "costura" do texto, orientando o leitor para a construção do sentido.



Publicado em: 12/02/2009