sábado, 31 de outubro de 2015

ATO GRATUITO, CLARICE LISPECTOR

Retirada do livro “Aprendendo a Viver”, publicado pela Rocco.
Muitas vezes, o que me salvou foi improvisar um ato gratuito. Ato gratuito, se tem causas, são desconhecidas. E se tem conseqí¼ências, são imprevisí­veis. O ato gratuito é o oposto da luta pela vida e na vida. Ele é o oposto da nossa corrida pelo dinheiro, pelo trabalho, pelo amor, pelos prazeres, pelos táxis e ínibus, pela nossa vida diária enfim – que esta é toda paga, isto é, tem o seu preço.
Uma tarde dessas, de céu puramente azul e pequenas nuvens branquí­ssimas, estava eu escrevendo à máquina – quando alguma coisa em mim aconteceu. Era o profundo cansaço da luta.
E percebi que estava sedenta. Uma sede de liberdade me acordara. Eu estava simplesmente exausta de morar num apartamento. Estava exausta de tirar idéias de mim mesma. Estava exausta do barulho da máquina de escrever. Então a sede estranha e profunda me apareceu. Eu precisava – precisava com urgência – de um ato de liberdade: do ato que é por si só. Um ato que manifestasse fora de mim o que eu não precisava pagar. Não digo pagar com dinheiro mas sim, de um modo mais amplo, pagar o alto preço que custa viver.
Então minha própria sede guiou-me. Eram 2 horas da tarde de verão. Interrompi meu trabalho, mudei rapidamente de roupa, desci, tomei um táxi que passava e disse ao chofer: vamos ao Jardim Botânico. “Que rua?”, perguntou ele. “O senhor não está entendendo”, expliquei-lhe, “não quero ir ao bairro e sim ao Jardim do bairro.” Não sei por que olhou-me um instante com atenção.
Deixei abertas as vidraças do carro, que corria muito, e eu já começara minha liberdade deixando que um vento fortí­ssimo me desalinhasse os cabelos e me batesse no rosto grato de olhos entrefechados de felicidade.
Eu ia ao Jardim Botânico para quê? Só para olhar. Só para ver. Só para sentir. Só para viver. Saltei do táxi e atravessei os largos portões. A sombra logo me acolheu. Fiquei parada. Lá a vida verde era larga. Eu não via ali nenhuma avareza: tudo se dava por inteiro ao vento, no ar, à vida, tudo se erguia em direção ao céu. E mais: dava também o seu mistério.
O mistério me rodeava. Olhei arbustos frágeis recém-plantados. Olhei uma árvores de tronco nodoso e escruo, tão largo que me seria impossí­vel abraçá-lo. Por dentro dessa madeira de rocha, através de raí­zes pesadas e duras como garras – como é que corria a seiva, essa coisa quase intangí­vel que é a vida? Havia seiva em tudo como há sangue em nosso corpo.
De propósito não vou descrever o que vi: cada pessoa tem que descobrir sozinha. Apenas lembrarei que havia sombras oscilantes, secretas. De passagem falarei de leve na liberdade dos pássaros. E na minha liberdade. Mas é só. O resto era o verde úmido subindo em mim pelas minhas raí­zes incógnitas. Eu andava, andava. Às vezes parava. Já me afastara muito do portão de entrada, não o via mais, pois entrara em tantas alamedas. Eu sentia um medo bom – como um estremecimento apenas perceptí­vel de alma – um medo bom de talvez estar perdida e nunca mais, porém nunca mais! achar a porta de saí­da.
Havia naquela alameda um chafariz de onde a água corria sem parar. Era uma cara de pedra e de sua boca jorrava a água. Bebi. Molhei-me toda. Sem me incomodar: esse exagero estava de acordo com a abundância do Jardim.
O chão estava í s vezes coberto de bolinhas de ararueira, daquelas que caem em abundância nas calçadas da nossa infância e que pisamos, não sei por que, com enorme prazer. Repeti então o esmagamento das bolinhas e de novo senti o misterioso gosto bom. Estava com um cansaço benfazejo, era hora de voltar, o sol já estava mais fraco.
Voltarei num dia de chuva – só para ver o gotejante jardim submerso.
Nota da autora: peço licença para pedir à pessoa que tão bondosamente traduz meus textos em braile para os cegos que não traduza este. Não quero ferir os olhos que não vêem.

domingo, 25 de outubro de 2015

Desafio Profissão - A Escolha





CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA DE OCUPAÇÕES
O mais completo acervo de informações sobre profissões no Brasil, inclusive as de nível superior, é a CBO – Classificação Brasileira de Ocupações, desenvolvida pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A base de dados completa está disponível em um site gratuito, aberto ao público e de fácil uso.






quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Por que tanta controvérsia no que se diz respeito aos transgênicos?


Os transgênicos, espécies cuja constituição genética foi alterada com genes de outros seres vivos, a fim de modificar determinadas características naturais por outras “melhores” (como resistência a pragas, carne mais macia, dentre outras), são tema de muitas controvérsias. De um lado, o famoso discurso de que os transgênicos poderão resolver o problema da fome no mundo e as facilidades que poderão trazer para nossa vida. 
Por outro lado, a competição destes organismos com as espécies naturais e o potencial de riscos à biodiversidade e à saúde. Vamos discutir sobre a biossegurança, os prós e contras da introdução de transgênicos na nossa alimentação e no ambiente, as legislações que abordam esta temática, riscos econômicos, o histórico, interesses econômicos, aspectos sociais e políticos envolvendo os transgênicos.

Proposta de trabalho: 
Pesquisar o assunto com a posição social definida
Grupos:
-Ecólogos
-Políticos
-Produtores: Pequenos agricultores
-Produtores:Grandes agricultores
- Sistema empresarial (Biotecnologia)

Produção final: Artigo de Opinião
1.O AUTOR DOMINA O ASSUNTO
2.É ASSINADO
3.A LINGUAGEM É FORMAL
4.APRESENTA UMA CLARA INTENÇÃO PERSUASIVA

Sugestão de links para pesquisa:

  

Transgênicos no Brasil: 10 anos de promessas não cumpridas - 2013

A lista de deputados que derrubaram a rotulagem de alimentos transgênicos - 2015




Infográficos

Infográfico: Transgênicos liberados no Brasil

1º sensibilização
Conversa informal sobre o assunto
Tarefa de pesquisa

2º problematização
Grupos: Proposta de foco na pesquisa com diferentes posições sociais

3º instrumentalização
Roda de conversa sobre as pesquisas realizadas
Divulgação de sites para uma pesquisa que proporcione argumentação fundamentada
Elaboração individual de um parágrafo argumentativo

4º socialização
Debate entre os grupos

5º proposta de produção de texto

20 - 25 linhas
INTRODUÇÃO: PREMISSA + OPINIÃO
ARGUMENTAÇÃO 1
ARGUMENTAÇÃO 2
ARGUMENTAÇÃO 3
CONCLUSÃO + PROPOSIÇÃO

PREMISSA
Construção do primeiro parágrafo
- Apresentação do assunto segundo o enfoque do grupo
- Deixar claro a posição do grupo sobre o assunto (opinião)

ESTRATÉGIAS ARGUMENTATIVAS 
Construção de parágrafos argumentativos - Recursos utilizados para desenvolver os argumentos, de modo a convencer o leitor: 
• exemplos; 
• dados estatísticos; 
• pesquisas; 
• fatos comprováveis; 
• citações ou depoimentos de pessoas especializadas no assunto; 
• alusões históricas; 
• comparações entre fatos, situações, épocas ou lugares distintos. 


CONCLUSÃO
Retomada da opinião e proposição cidadã de solução

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Citações e Referências bibiográficas

TIPOS DE CITAÇÕES
Citação Direta
Transcrição textual de parte da obra do autor consultado. Indicar a data e a página.
Ex.:
"Deve-se indicar sempre, com método e precisão, toda documentação que serve de base para a pesquisa, assim como idéias e sugestões alheias inseridas no trabalho." (CERVO; BERVIAN, 1978, p. 97).
Citação Indireta
Texto baseado na obra do autor consultado, consistindo em transcrição não textual da(s) idéia(s) do autor consultado. Indicar apenas a data, não havendo necessidade de indicação da página.
Ex.:
Barras (1979) ressalta que, apesar da importância da arte de escrever para a ciência, inúmeros cientistas não têm recebido treinamento neste sentido.
Citação de Citação
Transcrição direta ou indireta de um texto em que não se teve acesso ao original, ou seja, retirada de fonte citada pelo autor da obra consultada.
Indicar o autor da citação, seguido da data da obra original, a expressão latina "apud", o nome do autor consultado, a data da obra consultada e a página onde consta a citação.
Ex.:
"0 homem é precisamente o que ainda não é. O homem não se define pelo que é, mas pelo que deseja ser." (ORTEGA Y GASSET, 1963, apud SALVADOR, 1977, p. 160).
Segundo Silva (1983 apud ABREU, 1999, p. 3) diz ser [ . . . ]



terça-feira, 25 de agosto de 2015

GIL VICENTE

AUTO DA BARCA DO INFERNO - ADAPTADO
http://professoraanaferreira.blogspot.com.br/2012/12/auto-da-barca-do-inferno-texto-adaptado.html

dança solteiras
https://www.youtube.com/watch?v=JiE17pvisBg

https://www.youtube.com/watch?v=3rO5dxF1C2c

TODO MUNDO E NINGUÉM
http://www.recantodasletras.com.br/prosapoetica/1742784

quinta-feira, 14 de maio de 2015

CONTO



1. CASA DE VÔ - Beatriz Vichessi

2. O caboclo, o padre e o estudanteColhido no Ceará por  Gustavo Barroso

3. O EU, O TU E O ELET. Santos

EXERCÍCIOS TEXTO 1
EXERCÍCIOS TEXTO 2
EXERCÍCIOS TEXTO 3

Um conto é uma narrativa ficcional curta.
Não faz rodeios: vai direto ao assunto.
Apresenta poucas personagens, poucas ações e tempo e espaço bem reduzidos.
No conto tudo importa: cada palavra é uma pista. Em uma descrição, informações valiosas; cada adjetivo é insubstituível; cada vírgula, cada ponto, cada espaço – tudo está cheio de significado.

O conto está para o romance assim como a fotografia está para o cinema: o contista quanto o fotógrafo devem selecionar uma situação e tentar extrair dela o máximo. 


Enredo
Conflito:
é uma oposição entre elementos da história – fatos, personagens, ambiente, ideias, desejos, opiniões – da qual resulta uma tensão que organiza os fatos. O conflito cria no leitor ou no ouvinte expectativa em relação aos fatos da história e a ele se deve a estruturação do enredo em partes: introdução (ou apresentação), complicação (ou desenvolvimento), clímax e desfecho.
Introdução (ou apresentação):
geralmente coincide com o começo da história. Nela o narrador costuma apresentar os fatos iniciais, as personagens e, eventualmente, o tempo ou o espaço. A introdução de um texto narrativo é muito importante, porque deve despertar a atenção do leitor e situá-lo na história que vai ler. É comum optarmos ou não pela leitura de um livro depois de lermos seu início.
Complicação (ou desenvolvimento):
é a parte do enredo em que é desenvolvido o conflito. Clímax: é o momento culminante da história, o momento de maior tensão, aquele em que o conflito atinge o seu ponto máximo. Numa história o clímax pode ser o ponto de referência para as outras partes do enredo.
Desfecho (desenlace
ou conclusão):
É a solução do conflito, a parte final: boa, má, surpreendente, trágica, cômica, feliz, etc.
Tempo
Cronológico:
é o tempo que transcorre a ordem natural dos fatos no enredo, do começo para o final. Está ligado ao enredo linear, ou seja, à ordem em que os fatos ocorrem. Chama-se tempo cronológico porque pode ser medido em horas, meses, anos, séculos.
Psicológico:
é o tempo que transcorre numa ordem determinada pela vontade, pela memória ou pela imaginação do narrador ou personagem. É característico de enredo não linear, ou seja, do enredo em que os acontecimentos estão fora da ordem natural.
Técnica do flashback:

é um recurso narrativo que consiste em voltar no tempo. Ocorre, por exemplo, quando uma personagem lembra um fato ou conta a outras personagens fatos que acrescentam informações ou esclarecem uma situação, um enigma.
Espaço
Físico (ou geográfico):
é o lugar onde acontecem os fatos que envolvem as personagens: uma máquina do tempo, uma casa, uma praça, Londres. O espaço pode ser descrito detalhadamente ou suas características podem aparecer diluídas na narração. Quase sempre é possível identificá-lo como espaço aberto ou fechado, urbano ou rural, etc.
Social (ambiente):
é o espaço relativo às condições socioeconômicas, morais e psicológicas que dizem respeito às personagens. Possibilita situar as personagens na época, no grupo social e nas condições em que se passa a história, projetar os conflitos vividos por elas, fornecer pistas para certo tipo de desfecho.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

5 Dicas Para Fazer Um Bom Resumo

por INFOENEM
Há alguns dias, mais precisamente na última sexta-feira, falamos sobre a diferença entre resumo e resenha (Não viu? Clique aqui para ler o artigo). Hoje, trazemos algumas dicas e técnicas para que você consiga realizar um resumo que realmente te ajude na fixação dos conteúdos estudados.
Antes de qualquer dica, é importante destacar que fazer resumo não é copiar! Não adianta nada escolher meia dúzia de parágrafos, transcrevê-los e chamar isso de resumo. Esse amontoado de palavras pode ser qualquer coisa, menos um resumo de verdade! Além disso, não vai te auxiliar em nada na fixação e entendimento do conteúdo. Tendo isso em mente, podemos fazer receita que, caso siga o passo a passo, conseguirá realizar um ótimo resumo:
  1. Leia atentamente o texto-fonte, para ter uma visão geral do assunto tratado.

  2. Faça uma nova leitura, desta vez separando (grifando ou fazendo uma lista) as partes que julga serem as mais importantes de cada parágrafo. Essa fase é muito importante, pois são justamente essas anotações que servirão como base para seu resumo.

  3. Escreva, agora com suas palavras, todas as ideias e informações que separou anteriormente.

  4. Reescreva seu resumo. Afinal, dificilmente a primeira versão apresenta uma construção de parágrafos e de organização de ideias satisfatórias.

  5. Leia atentamente seu resumo, observando principalmente se não houve adição de comentário pessoais que não sejam do autor do texto-base. Essa última análise também é muito importante porque, como já ressaltamos anteriormente, diferentemente da resenha, o resumo não deve conter nenhum olhar crítico referente ao texto original.