segunda-feira, 4 de junho de 2012

OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA

Prezado(a) professor(a),

Professoras de São José dos Campos/SP, participando de Orientação tëcnica para a participação na Olimpíada de Língua Portuguesa : gênero Memórias  e para a Implementação do currículo: gênero Notícia

Novo link para inscrição
Devido ao grande número de acessos ao site da Comunidade Virtual, ocorreram vários problemas e muitos não conseguiram concluir a inscrição. Por essa razão, prorrogamos o prazo de inscrição e disponibilizamos o link abaixo para que você possa realizar sua inscrição, garantindo assim, sua participação na 3ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro.

IMPORTANTE:
- Para se inscrever em mais de uma escola, você deverá preencher um formulário para cada uma delas.

- Clique no link e preencha a ficha de inscrição: aqui a ficha de inscrição

Caso não consiga abrir apenas clicando, copie e cole o link na barra de endereços do seu navegador da internet. Você receberá a confirmação de sua inscrição a partir do 15º dia do envio do formulário, através de e-mail.
Contamos com sua participação!
Importante : Não fomos informados sobre o prazo final para as inscrições, que não serão encerradas em 25/5.
Em dúvida: 0800 7719310 – olimpiada@cenpec.org.br

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Fábula: um gênero discursivo da ordem do narrar


SEQUÊNCIA DIDÁTICA - CONTRA FÁBULA

Adaptação da proposta disponível em: Portal do Professor de Lazuita Goretti de Oliveira
PROBLEMATIZAÇÃO
Mostre o desenho acima e diga que  da gravura faz alusão a uma fábula bastante conhecida “ A cigarra e a formiga”.
Pergunte:
a. Vocês conhecem essa história?
b. Quem gostaria de contá-la, resumidamente, para os colegas?
c. Vocês conhecem outras fábulas? Quais?
d. Vocês sabem por que essas histórias são chamadas de fábulas?

PROPOSTA DE PESQUISA: Quem foram Esopo e La Fontaine: algumas informações.

MELHORANDO O REPERTÓRIO DO ALUNO
ASSISTIR AOS VÍDEOS:
A lebre e a tartaruga:

http://www.youtube.com/watch?v=OLoh42zGjQQ&feature=related

O leão e o ratinho:

http://www.youtube.com/watch?v=NA8Ei-U0yrA&feature=related

A raposa e as uvas:

http://www.youtube.com/watch?v=4qpzwEDZFLc&feature=related


RODA DE LEITURA: Leiam várias fábulas.

LER OS TEXTOS ABAIXO
A cigarra e a formiga

Disponível aqui

Tendo a cigarra, em cantigas,
Folgado todo o verão,
Achou-se em penúria extrema,
Na tormentosa estação.

Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.

– Amiga – diz a cigarra
– Prometo, à fé de animal,
Pagar-vos, antes de Agosto,
Os juros e o principal.

A formiga nunca empresta,
Nunca dá; por isso, junta.
– No verão, em que lidavas?
– À pedinte, ela pergunta.

Responde a outra: – Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.
– Oh! Bravo! – torna a formiga
– Cantavas? Pois dança agora!

O Livro das Virtudes
Uma antologia de William J. Bennett, 1995

INSTRUMENTALIZAÇÃO 1
FAZER INTERPRETAÇÃO E COMPREENSÃO COLETIVA
1. Quais as características humanas que a cigarra e a formiga apresentam?
2. O que as atitudes da formiga revelam sobre sua personalidade?
3. Observe a primeira estrofe:
a. Descreva a situação em que se encontrava a cigarra.
b. Identifique, nessa estrofe, um adjetivo que acentua a situação em que a cigarra se encontrava.
c. Qual é o motivo que levou a cigarra a tal situação?

4. Releia a terceira estrofe:
O que o verso “Pois tinha riqueza e brio” revela sobre o caráter da formiga?

5. Cantar, para a formiga, podia ser considerado um trabalho? Como ela via a cigarra?

6. Assinale a(s) frase (s) que melhor resume(m) a moral da história:
( ) Contra a força não há argumento.
( ) As aparências enganam.
( ) Deus ajuda quem cedo madruga.
( ) O trabalho dignifica o homem.

LEITURA COMPARTILHADA
CONTRAFÁBULA DA CIGARRA E DA FORMIGA
Disponível aqui
A formiga passava a vida naquela formigação, aumentando o rendimento da sua capita e dizendo que estava contribuindo para o crescimento do Produto Nacional Bruto. Na trabalheira do investimento, sempre consultando as cotações da Bolsa, vendendo na alta e comprando na baixa, sempre atenta aos rateios e às subscrições. Fechava contratos em Londres já com um pé no Boeing para Frankfurt ou Genebra, para verificar os dividendos de suas contas numeradas.
Mas vivia também roendo–se por dentro ao ver a cigarra, com quem estudara no ginásio, metida em shows e boates, sempre acompanhada de clientes libidinosos do Mercado
Comum.
E vivia a formiga a dizer por dentro:
– Ah, ah! No inverno, você há de aparecer por aqui a mendigar o que não poupou no verão! E vai cair dura com a resposta que tenho preparada para você!
Ruminando sua terrível vingança, voltava a formiga a tesourar e entesourar investimentos e lucros, incutindo nos filhos hábitos de poupança, consultando advogados e tomando vasodilatadores.
Um dia, quando voltava de um almoço no La Tambouille com os japoneses da informática, encontrou a cigarra no shopping Iguatemi, cantarolando como de costume.
Lá vem ela dar a sua facada, pensou a formiga. “Ah, ah, chegou a minha vez!”
Mas a cigarra aproximou-se só querendo saber como estava ela e como estavam todos
no formigueiro.
A formiga, remordida, preparando o terreno para sua vingança, comentou:
– A senhora andou cantando na tevê todo este verão, não foi, dona Cigarra?
– É claro! – disse a cigarra. – Tenho um programa semanal.
– Agora no inverno é que vai ser mau – continuou a formiga com toda maldade na
voz. – A senhora não depositou nada no banco, não é?
– Não faz mal. Os meus discos não saem das paradas. E acabei de fechar um contrato
com o Olympia de Paris por duzentos mil dólares...
– O quê?! – exclamou a formiga. – A senhora vai ganhar duzentos mil dólares no inverno?
– Não. Isso é só em Paris. Depois, tem a excursão a Nova York, depois Londres, depois Amsterdam...
Aí a formiga pensou no seu trabalho, nas suas azias, na sua vida terrivelmente cansativa e nas suas ameaças de enfarte, enquanto aquela inútil da cigarra ganhava tanto cantando e se divertindo! E perguntou:
– Quando a senhora embarca para Paris?
– Na semana que vem...
– E pode me fazer um favor? Quando chegar a Paris, procure lá um tal La Fontaine. E diga-lhe que eu quero que ele vá para o raio que o parta!

Adaptação feita por Pedro Bandeira do texto do escritor português Antônio A. Batista.


INSTRUMENTALIZAÇÃO 2
Identifiquem as características comuns a todos os textos lidos
O texto “Contrafábula da cigarra e da formiga” foi escrito pelo autor português Antônio Baptista, na década de 90, e adaptado por Pedro Bandeira. Faz intertextualidade com a fábula “A cigarra e a formiga”.

Houve uma atualização, isto é, uma releitura da fábula de La Fontaine, em relação a vários aspectos, tais como: linguagem, tema, valores financeiros e moral da história.
1. Identifique no texto e transcreva para seu caderno, uma fala da formiga, que comprove essa atualização.
2. A cigarra e a formiga vivem em meios sociais diferentes. Quais são esses meios? Descreva-os.
3.
a. A ideia discutida no texto de La Fontaine é o trabalho. Qual é a ideia discutida na "Contrafábula da cigarra e da formiga"?
b. Explique o sentido das palavras “ formigação, tesourar e entesourar”, de acordo com o contexto social em que a formiga vivia.
4. Os sentimentos da formiga em relação à cigarra são os mesmos nos dois textos? Justifique.
5. Observe a seguinte passagem do texto:
- E pode me fazer um favor? Quando chegar a Paris, procure lá um tal de La Fontaine. E diga-lhe que eu quero que ele vá para o raio que o parta!
Esta passagem mostra que a intertextualidade entre os textos se faz por um aspecto novo. Qual é esse aspecto?
6. De acordo com contrafábula da cigarra e da formiga a avidez por dinheiro é um aspecto negativo ou positivo? Explique.
7. Qual é a moral da história no texto de Antônio A. Baptista?
8. Explique o título “ Contrafábula da cigarra e da formiga”.
9. Qual o conhecimento prévio necessário para que o leitor perceba o humor na contrafábula da cigarra e da formiga?

Assistir aos vídeos:
http://www.youtube.com/watch?v=IezC65lMZKY&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=XUTHH35S0j0&feature=related

Após assistirem aos vídeos, o professor deverá disponibilizar espaço para que os alunos comentem a atualização da fábula nas releituras produzidas nos vídeos, observando:
a. quais os aspectos atualizados;
b. moral da história em cada releitura;
c. qual(is) das releituras da fábula estão mais adequadas aos tempos modernos? Por quê?

EQUILIBRAÇÃO

Atividade de Produção de texto
I - O professor deverá reproduzir para os alunos a cópias das fábulas

A. "O lobo e cordeiro" de La Fontaine, recontada por Monteiro.

O lobo e o cordeiro de Monteiro Lobato

Estava o cordeiro a beber água num córrego, quando apareceu um lobo esfaimado, de horrendo aspecto.
─ Que desaforo é esse de turvar a água que venho beber?
─ Disse o monstro, arreganhando os dentes. ─ Espere que vou castigar tamanha má-criação!...
O cordeirinho, trêmulo de medo, respondeu com inocência:
─ Como posso turvar a água que o senhor vai beber se ela corre do senhor para mim?
Era verdade aquilo e o lobo atrapalhou-se com a resposta, mas não deu o rabo a torcer.
─ Além disso ─ inventou ele ─ sei que você andou falando mal de mim no ano passado.
─ Como poderia falar mal do senhor no ano passado, se nasci este ano?
Novamente confundido pela voz da inocência, o lobo insistiu:
─ Se não foi você foi seu irmão mais velho, o que dá no mesmo.
─ Como poderia ser seu irmão mais velho, se sou filho único?
O lobo, furioso, vendo que com razões claras não venceria o pobrezinho, veio com razão de lobo faminto:
─ Pois se não foi seu irmão, foi seu pai ou seu avô! E ─ nhoque ─ sangrou-o no pescoço.

Moral: Contra a força não há argumentos.


B. "O Corvo e o Jarro" de Esopo

Um corvo que estava sucumbindo com muita sede encontrou um jarro, e, na esperança de achar água, voou até ele com muita alegria. Quando o alcançou, descobriu para sua tristeza que o jarro continha tão pouca água em seu interior que era impossível tirá-la de dentro. Ele tentou de tudo para alcançar a água que estava dentro do jarro, mas todo seu esforço foi em vão. Por último ele pegou tantas pedras quanto podia carregar, e colocou-as uma-a-uma dentro do jarro, até que o nível da água ficasse ao seu alcance e assim salvou sua vida.
Moral: A necessidade é a mãe das invenções.


Agora é a sua vez, reescreva a fábula, atualizando-a em alguns aspectos de modo a apresentar uma moral diferente daquela da fábula original.
Contrafábula do lobo e do cordeiro.
Contrafábula do corvo e do jarro.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

A CRÔNICA

a) Definição:

Para Coutinho, (1) os gêneros literários se diferenciam pela relação direta ou indireta entre autor e leitor. Possuem relação direta com o leitor, os autores que escrevem ensaios; crônicas; discursos; cartas; apólogos; máximas; diálogos; memórias. A relação indireta é estabelecida nos contos; novelas; epopéias; romances; gêneros narrativos, líricos e dramáticos.

Etimologicamente, a palavra crônica remete ao termo grego Kronos (tempo). Segundo o dicionário Morais, (2) a crônica é a história escrita conforme a ordem do tempo; de modo que os fatos narrados se referem diretamente a este. Da mesma forma, o Frei Domingos de Oliveira (3) compreende o tempo como o elemento organizador do gênero. Diferentemente da história, os fatos não são estudados para se estabelecer entre estes causas e conseqüências, mas simplesmente para narrá-los.

Arrigucci(4) introduz outro importante elemento nestas definições sobre a crônica: a memória. Na crônica, o tempo é o centro da narração dos fatos, mas estes não são narrados tal como aconteceram, mas tal como os recorda o cronista. Este é um “hábil artesão da experiência” e, ao transformar fatos em matéria narrada, resignifica os acontecimentos de acordo com as impressões que obteve destes.

b) Um gênero menor?

Mesmo para os próprios cronistas, a crônica é tida como um gênero menor em relação aos outros gêneros literários. Em Escrever para jornal e escrever livro, publicado em 29 de julho de 1972, Clarice afirma:

(...)num jornal nunca se pode esquecer o leitor, ao passo que no livro fala-se com maior liberdade, sem compromisso imediato com ninguém. Ou mesmo sem compromisso nenhum (...) não há dúvida de que eu valorizo muito mais o que escrevo em livros do que o que eu escrevo para jornais.

Para Antonio Dimas, (5) um dos motivos indiscutíveis para este descaso é a feição financeiramente utilitária do gênero que proporciona aos escritores a possibilidade de um salário fixo e de uma vida financeira estável que não seria possível com os livros. Paulo Mendes Campos, por exemplo, se justifica: Precisava ganhar dinheiro. Só de poesia, só de literatura, não se vive. (6) O fato é que o autor se sente degradado ao ser obrigado a vender sua força de trabalho para sobreviver, ao mesmo tempo em que necessita deste dinheiro como forma de sustentar suas atividades na “Grande Literatura”.

Clarice Lispector, citada por Dimas, afirma: Talvez nem escrevesse em jornal se não tivesse necessidade. A autora faz uma queixa semelhante a esta na crônica Anonimato, publicada em 10 de fevereiro de 1968: Aliás, eu não queria mais escrever. Escrevo agora porque estou precisando de dinheiro.

O cronista sente a necessidade de se justificar pela dedicação a esta necessidade degradante da sobrevivência financeira. Em Ser Cronista de 22 de junho deste mesmo ano, Clarice cita o conselho que recebeu de um amigo, que tenta justificar a venda do trabalho do escritor: Todos seus leitores hão de entender que sua crônica semanal é um modo honesto de ganhar dinheiro.

Outra causa para o descaso com o gênero é a efemeridade do veículo em que as crônicas se inserem. Jorge de Sá (7) afirma: O jornal nasce envelhece e morre a cada 24 horas. Nesse contexto, a crônica também assume esta transitoriedade. O fato de que a crônica é destinada a ser lida e esquecida, faz com que os críticos não atribuem ao gênero o status literário do romance ou do conto.

Não apenas o veículo como os assuntos a serem abordados na crônica devem ser efêmeros e esta efemeridade é considerada muitas vezes como característica de uma literatura tida como frívola e superficial. A crônica é entendida como um descanso para o leitor diante das outras notícias do jornal. Desprovida do rigor jornalístico das reportagens e do rigor literário dos romances, a crônica é desmerecida, portanto, tanto em relação à Literatura quanto ao Jornalismo, tornando-se, nas palavras de Machado de Assis, “uma fusão admirável entre o útil e o fútil”.

Há uma delimitação clara dos temas sobre os quais um cronista pode – e deve- escrever: comentários sobre as notícias em evidência no jornal em que a crônica se insere ou sobre fatos cotidianos que não mereceram a atenção dos jornalistas e do público leitor. A atividade do cronista é narrar estes fatos segundo o seu ponto de vista, sem se deter especificamente em nenhum, dando a estes uma leveza característica do gênero. Machado de Assis ironiza esta condição:

O folhetinista, na sociedade ocupa o lugar do colibri na esfera vegetal: solta, esvoaça; brinca; tremula; paira; espaneja-se sobre todos os caules suculentos, sobre todas as seivas vigorosas. Todo o mundo lhe pertence; até mesmo a política (8).

A escolha pelo tom menor do bate-papo entre amigos e por assuntos menos relevantes em relação aos outros textos do jornal e aos romances dos cronistas, determina que a crônica se coloque em um território de difícil definição, como será discutido a seguir. Para Antonio Candido, (9) esta é sua maior vantagem em relação aos outros textos jornalísticos ou literários. Para o autor, ao se tornar mais acessível aos leitores, a crônica é capaz de comunicar mais sobre a condição humana e sobre a vida do que os estudos intencionais.

Da mesma forma, para Arrigucci, a crônica ao tratar dos pequenos acontecimentos diários, ao contrário de introduzir em um status literário inferior aos romances e contos, é capaz de atingir a mais alta poesia. Esta despretensão, para Antonio Candido, humaniza o texto permitindo “como compensação sorrateira, recuperar com a outra mão uma certa profundidade”. Assim, retirado o status literário e a seriedade jornalística e resignificando os fatos, a crônica se aproxima do leitor sem que para isto seja preciso diminuir a seriedade dos problemas abordados.

Para Dimas, esta aproximação entre leitores e autores permite o “desnudamento do autor perante o público” e, a partir deste desnudamento, seria possível delimitar as matrizes ideológicas do autor, de forma diferente do que seria feito pela observação das outras produções literárias deste. Há uma marca de pessoalidade que caracteriza o gênero, como se o autor se aproximasse do público, aproximando também, desta forma, o leitor das notícias publicadas no jornal. Leitor e autor tornam-se amigos íntimos e comentam com despretensão os assuntos em pauta não pela importância nacional destes, mas pela forma particular e pessoal com que estes temas os tocaram.

Por Thais Torres de Souza

Referência

Em http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/c00012.htm#_ftn6

1. Coutinho, Afrânio: Ensaio e crônica; in: A literatura no Brasil. Rio de Janeiro; José Olympio Editora, 1986.

2. Apud Coutinho, op. cit.

3. Idem.

4. Arrigucci, Davi Jr: Fragmentos sobre crônica, in: Enigma e comentário: ensaios sobre Literatura e experiência. São Paulo, Companhia das Letras, 1987.

5. Dimas, Antonio: Ambigüidade da crônica: literatura ou jornalismo? In: Littera, nº 12, ano IV – set. dez. 1974.

6. Apud Dimas, op. cit.

7. Sá, Jorge de: A crônica. São Paulo: Editora Ática, Série Princípios, 1985.

8. Assis, Machado de: A semana. São Paulo, Editora Hucitec, 1996.

9. Candido, Antonio: A vida ao rés-do-chão, in: A crônica: o gênero, sua fixação e suas transformações no Brasil. Campinas, Editora da Unicamp, 1992

terça-feira, 24 de abril de 2012

GÊNERO INTERROGATÓRIO

Segundo Bezerra (2002), o interrogatório é um ato judicial, em que se indaga ao acusado sobre os fatos imputados contra ele advindo de uma queixa ou denúncia, dando-lhe ciência ao tempo em que oferece oportunidade de defesa. Logo, o interrogatório possui um caráter híbrido, visto que é considerado tanto meio de prova, bem como ato de defesa (autodefesa).

Existem os momentos, fixados pelo Código de Processo Penal, para realização do interrogatório, quais sejam: no inquérito policial; no auto de prisão em flagrante ; logo após o recebimento da denúncia ou queixa e antes da defesa prévia ; no plenário do júri e no Tribunal, em processos originais ou no curso da apelação (art.616).

O interrogatório traz em seu bojo as seguintes características: é ato público, é ato personalíssimo, possui judicialidade e, finalmente, oralidade.

É ato personalíssimo porque só o acusado pode ser interrogado. Possui judicialidade porque cabe ao juiz e só ele interrogar o acusado. Na oralidade, a palavra do acusado, circundada de sua atitude, pode dar ao juiz um elemento insubstituível por uma declaração escrita, despida dos elementos de valor psicológico que acompanham a declaração falada.

Quanto ao contexto de produção....... este é um gênero oral, e vocês estão fazendo a reprodução da fala original, o que é uma característica de registro deste gênero.

Como no exemplo:
Excerto 1 (ABUSO SEXUAL DE MENOR, 2007, 02:47-52)

47 inspetor -muito bem (mexe em papeis) então a senhora e a dona Marta da Silva não é isso?
48 mãe - aham.
49 inspetor- esse rapaz que tá na minha frente ai é o André ((menor, possível vítima de abuso sexual)) não e isso?
50 mãe - aham.
51 inspetor - tá deixa eu perguntar pra senhora
- tá constando aqui pra gente, tá que a senhora fez o boletim de ocorrência, tá aqui com a gente, não á isso?
- da polícia civil, né? dia dezesseis de abril, é isso mesmo, não é isso?

O texto de um interrogatório é mantido assim.

SOBRE A ORALIDADE

Outras situações: sendo mais espontânea e criativa, a língua popular se afigura mais expressiva e dinâmica. A informalidade prevalece sobre a norma culta, deixando mais livres os interlocutores.

Tô preocupado. (língua popular)
Tô grilado. (gíria, limite da língua popular)
Eu não vi ela hoje.
Ninguém deixou ele falar.
Deixe eu ver isso!
Eu te amo, sim, mas não abuse!
Não assisti o filme nem vou assisti-lo.

Abaixo um gráfico (MARCUSCHI, 2001, p. 41), que mostra a relação da fala com a escrita . Vocês poderão ver que fala e escrita apresentam-se num continuum que abrange vários gêneros textuais. Há uns que se aproximam mais da fala; outros, mais amplos no contexto, estão mais próximos da escrita.


MARCUSCHI (2001) elaborou um modelo para as operações textuais-discursivas na passagem do texto oral para o texto escrito:

1ª. operação: Eliminação de marcas estritamente interacionais, hesitações e partes de palavras:

Por exemplo: “eh...eu vou falar sobre a minha família... sobre os meus pais...o que eu acho deles...como eles me tratam...bem...eu tenho uma família...pequena...ela é composta pelo meu pai... pela minha mãe... pelo meu irmão... eu tenho um irmão pequeno de ... dez anos... eh... o meu irmão não influencia em nada... minha mãe é uma pessoa superlegal...sabe?”

Nesse texto percebem-se as hesitações como: eh..., de...; a marca interacional, como: sabe?

2ª. operação: Introdução da pontuação.

3ª. operação: Retirada de repetições, reduplicações e redundâncias.

MARCUSCHI, “Da fala para escrita” (2001, p.75)



Segundo Ferronato, “as ações feitas para a retextualização podem ser assim sintetizadas:

1. Ponto de partida – texto base para a produção final escrita.

2. Texto transcodificado - simples transcrição, incluindo o aspecto da

compreensão, o qual vai repercutir no texto final.

3. Transcrição – sem pontuação, sem inserções e sem eliminações mas com indicações como: sorriso, movimento do corpo etc.

4. Adaptações implicam perdas como, por exemplo, entonação, qualidade da voz.

5. Texto final: após as operações de retextualização, tem-se a versão final escrita.”

Referência:

FERRONATO, Vera Lúcia de A. S. “A FALA E A ESCRITA EM QUESTÃO: RETEXTUALIZAÇÃO” IN http://alb.com.br/arquivo-morto/edicoes_anteriores/anais16/sem10pdf/sm10ss02_09.pdf.Último acesso: 20 abril 2012.


MARQUE, Débora. (2008) “A TENTATIVA DE CONSTRUÇÃO SEQÜENCIAL DA VERDADE NUM INTERROGATÓRIO POLICIAL DA DELEGACIA DE REPRESSÃO A CRIMES CONTRA A MULHER” in http://www.ufjf.br/revistaveredas/files/2009/12/artigo51.pdf . Último acesso: 20 abril 2012.

Curiosidade:
INTERROGATÓRIO NA LITERATURA - ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

sábado, 21 de abril de 2012

NOTÍCIA

HISTÓRIA DA IMPRENSA



Imprensa é a designação coletiva dos veículos de comunicação que exercem o Jornalismo e outras funções de comunicação informativaemcontraste com a comunicação puramente propagandística ou de entretenimento. O termo imprensa deriva da prensa móvel, processo gráfico aperfeiçoado por Johannes Guttenberg no século XV e que, a partir do século XVIII, foi usado para imprimir jornais, então os únicos veículos jornalísticos existentes. De meados do século XX em diante, os jornais passaram a ser também radiodifundidos e teledifundidos (radiojornaletelejornal) e, como advento da World Wide Web, vieram também os jornais on line, ou ciberjornais, ou webjornais. O termo "imprensa", contudo, foi mantido.


Como fazer um jornal




Notícia é a matéria prima do jornal. Ela traz um resumo dos acontecimentos. Portanto, um resumo não pode conter muitas linhas! A notícia deve comunicar o fato e não traçar argumentos sobre ele. 

CARACTERÍSTICAS
  • A notícia é composta de duas partes: a manchete e o texto.
  • Inicia com uma manchete objetiva (Verbo sempre no presente) que resume a notícia em poucas linhas (2 a 3) e tem o objetivo de atrair o leitor para ler o texto.  
  • Este gênero se caracteriza pela objetividade, brevidade e é redigido na 3ª pessoa.

Seguindo o Modelo de Lasswell, toda notícia deve responder a seis questões básicas:
Quem? O quê? Onde? Quando? Por quê? Como?  Essas questões costumam ser respondidas logo no primeiro parágrafo da reportagem, formando assim o chamado Lead da matéria.

  • Lead: primeiro parágrafo

1. Quem?
2. Onde?
3. Quando?
4. Por quê?
5. Como?

Corpo do texto: descrição pormenorizada dos fatos ocorridos, o que está por trás, quais foram as possíveis consequências.

Em algumas reportagens de revistas e jornais (em sites parece ser mais difícil de encontrar) sobre o título há uma pequena informação, geralmente uma frase curta relacionada ao assunto. Essa frase é chamada de Chapéu.

Logo abaixo do título, antes do parágrafo introdutório da matéria, há outro parágrafo com o objetivo de ambientar o leitor ao assunto tratado. A esse parágrafo, damos o nome de Sutiã (visto que ele "sustenta" o título, tal qual o sutiã sustenta os seios).

O olho é um trecho do texto destacado no meio da página. Esse trecho pode ser uma declaração marcante de alguém envolvido com o assunto ou uma informação que merece algum destaque. O que a caracteriza é que ela é destacada com aspas ou em itálico, e colocada num ponto da página que o destaque visivelmente ou graficamente.


Toda notícia tem: público alvo (perfil de leitor) e suporte lingüístico (fonte). 

Ela pode ser imparcial, ou seja não emite a opinião da equipe jornalística, ou emitir pontos de vista, direta ou indiretamente: através de adjetivos, substantivos e palavras que emitem juízo.

Para analisar uma notícia:
•          Quem escreveu – enunciador (posição social)
•          Para quem  - leitores potenciais (posição social)
•          Quando  foi escrita
•          Onde foi publicada
•          Porque – Qual o seu objetivo
•          Onde ele circula?
•          Qual o suporte?


COMO FAZER UM JORNAL